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"Muito perigoso". Trump alerta Londres e Otava contra laços com Pequim
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alerta que é "muito perigoso" para o Reino Unido e o Canadá estabelecer relações comerciais com a China, após declarações conciliatórias de Londres e Otava em relação a Pequim.
"É muito perigoso para eles fazerem isto", disse o presidente norte-americano, depois de o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, de visita a Pequim na quinta-feira, ter afirmado ser "vital" para o seu país melhorar as relações com a China.
Xi Jinping e Starmer saudaram a melhoria das relações entre os seus países, que consideraram necessária apesar da persistência de divergências graves.
No início desta semana, Trump ameaçou impor tarifas ao Canadá caso o país concretizasse os acordos económicos assinados com a China durante a recente visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, a Pequim.
"Acho que é ainda mais perigoso para o Canadá fazer negócios com a China", realçou Donald Trump. "O Canadá não está bem (...) e não se pode olhar para a China como uma solução", acrescentou o presidente norte-americano numa conferência de imprensa após a sua chegada a Washington para a estreia de um documentário sobre a sua mulher, Melania Trump.
"Conheço muito bem a China. Sei que o presidente Xi é meu amigo. Mas isso é um grande obstáculo quando se trata do Canadá", frisou Donald Trump, ironizando que "a primeira coisa que farão [as autoridades chinesas] será dizer que já não se pode jogar hóquei no gelo".
As declarações surgem depois de Xi Jinping ter recebido Keir Starmer em Pequim, e semanas após um encontro semelhante com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney. Em resposta à aproximação entre China e Canadá, Trump ameaçou impor tarifas alfandegárias de 100 por cento sobre produtos canadianos caso fosse assinado um acordo comercial bilateral com Pequim.
Antes dos comentários de Trump, o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, disse que era improvável que os esforços de Starmer com a China dessem resultados.
“Os chineses são os maiores exportadores e são muito, muito difíceis quando se tenta exportar para eles”, disse aos jornalistas. “Portanto, boa sorte para os britânicos se tentarem exportar para a China. É muito improvável”.
Howard Lutnick desvalorizou a possibilidade de Trump ameaçar o Reino Unido com tarifas, como fez com o Canadá, acrescentando: “A não ser que o primeiro-ministro britânico confronte os Estados Unidos e diga coisas muito duras, duvido que isso aconteça.”
Starmer defende aproximação a Pequim
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu a sua visita à China como forma de reconstruir a confiança mútua e reforçar as relações comerciais com Pequim.
Num discurso à comunidade empresarial chinesa e britânica no Banco da China, Starmer voltou a elogiar as suas conversas "muito calorosas e muito boas" com o presidente Xi Jinping no dia anterior.
Reiterou que estas discussões lhes permitiram "fazer progressos reais" e que "é assim que construímos a confiança e o respeito mútuos que são tão importantes".Esta é a primeira visita de um chefe de governo britânico à China desde 2018 e segue-se a uma série de outras viagens de líderes ocidentais, ansiosos por reforçar os laços com Pequim, à medida que o seu tradicional aliado americano se torna mais imprevisível.
Na prática, Keir Starmer, que viaja esta sexta-feira para Xangai antes de seguir para o Japão, não deixa a China com uma série de contratos ou anúncios inovadores.
Obteve algumas concessões de Pequim, como uma redução das tarifas de exportação de whisky e um acordo de cooperação para combater a imigração, cujo alcance ainda não está definido.
Pequim concedeu também ao Reino Unido isenção de visto para os britânicos que permaneçam na China por menos de 30 dias, o que Londres elogia como forma de facilitar o acesso às oportunidades económicas do mercado chinês aos empresários britânicos.
“Isto é simbólico do que estamos a fazer com esta relação”, disse Keir Starmer no Banco da China.
No total, foram assinados cerca de dez acordos de cooperação — cujos detalhes ainda não são claros — e os dois governos concordaram em realizar um “estudo de viabilidade para explorar a possibilidade de iniciar negociações sobre um acordo bilateral de serviços”.
A gigante farmacêutica britânica AstraZeneca anunciou a sua intenção de investir 15 mil milhões de dólares na China até 2030.
Mas este não era o ponto principal para o líder britânico, que precisa de encontrar formas de apoiar a economia do Reino Unido, penalizada pelas consequências do Brexit e pelo aumento das tensões comerciais internacionais.
Xi Jinping e Starmer saudaram a melhoria das relações entre os seus países, que consideraram necessária apesar da persistência de divergências graves.
No início desta semana, Trump ameaçou impor tarifas ao Canadá caso o país concretizasse os acordos económicos assinados com a China durante a recente visita do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, a Pequim.
"Acho que é ainda mais perigoso para o Canadá fazer negócios com a China", realçou Donald Trump. "O Canadá não está bem (...) e não se pode olhar para a China como uma solução", acrescentou o presidente norte-americano numa conferência de imprensa após a sua chegada a Washington para a estreia de um documentário sobre a sua mulher, Melania Trump.
"Conheço muito bem a China. Sei que o presidente Xi é meu amigo. Mas isso é um grande obstáculo quando se trata do Canadá", frisou Donald Trump, ironizando que "a primeira coisa que farão [as autoridades chinesas] será dizer que já não se pode jogar hóquei no gelo".
As declarações surgem depois de Xi Jinping ter recebido Keir Starmer em Pequim, e semanas após um encontro semelhante com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney. Em resposta à aproximação entre China e Canadá, Trump ameaçou impor tarifas alfandegárias de 100 por cento sobre produtos canadianos caso fosse assinado um acordo comercial bilateral com Pequim.
Antes dos comentários de Trump, o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, disse que era improvável que os esforços de Starmer com a China dessem resultados.
“Os chineses são os maiores exportadores e são muito, muito difíceis quando se tenta exportar para eles”, disse aos jornalistas. “Portanto, boa sorte para os britânicos se tentarem exportar para a China. É muito improvável”.
Howard Lutnick desvalorizou a possibilidade de Trump ameaçar o Reino Unido com tarifas, como fez com o Canadá, acrescentando: “A não ser que o primeiro-ministro britânico confronte os Estados Unidos e diga coisas muito duras, duvido que isso aconteça.”
Starmer defende aproximação a Pequim
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, defendeu a sua visita à China como forma de reconstruir a confiança mútua e reforçar as relações comerciais com Pequim.
Num discurso à comunidade empresarial chinesa e britânica no Banco da China, Starmer voltou a elogiar as suas conversas "muito calorosas e muito boas" com o presidente Xi Jinping no dia anterior.
Reiterou que estas discussões lhes permitiram "fazer progressos reais" e que "é assim que construímos a confiança e o respeito mútuos que são tão importantes".Esta é a primeira visita de um chefe de governo britânico à China desde 2018 e segue-se a uma série de outras viagens de líderes ocidentais, ansiosos por reforçar os laços com Pequim, à medida que o seu tradicional aliado americano se torna mais imprevisível.
Na prática, Keir Starmer, que viaja esta sexta-feira para Xangai antes de seguir para o Japão, não deixa a China com uma série de contratos ou anúncios inovadores.
Obteve algumas concessões de Pequim, como uma redução das tarifas de exportação de whisky e um acordo de cooperação para combater a imigração, cujo alcance ainda não está definido.
Pequim concedeu também ao Reino Unido isenção de visto para os britânicos que permaneçam na China por menos de 30 dias, o que Londres elogia como forma de facilitar o acesso às oportunidades económicas do mercado chinês aos empresários britânicos.
“Isto é simbólico do que estamos a fazer com esta relação”, disse Keir Starmer no Banco da China.
No total, foram assinados cerca de dez acordos de cooperação — cujos detalhes ainda não são claros — e os dois governos concordaram em realizar um “estudo de viabilidade para explorar a possibilidade de iniciar negociações sobre um acordo bilateral de serviços”.
A gigante farmacêutica britânica AstraZeneca anunciou a sua intenção de investir 15 mil milhões de dólares na China até 2030.
Mas este não era o ponto principal para o líder britânico, que precisa de encontrar formas de apoiar a economia do Reino Unido, penalizada pelas consequências do Brexit e pelo aumento das tensões comerciais internacionais.
Após anos de relações tensas sob os seus antecessores conservadores, num contexto de endurecimento da política chinesa em Hong Kong e de acusações mútuas de espionagem, Keir Starmer tem-se esforçado, desde que assumiu o cargo em 2024, por revitalizar as relações com Pequim, o terceiro maior parceiro comercial de Londres.
c/ agências